24 maio 2015

Mariana


a poesia diz (dois pontos)
existem motivos
para tudo
que é simplesmente
Ana quando sorri
quase fecha os olhos
seria demais para o mundo
ter de Ana
olhos e sorriso
ao mesmo tempo.
Eu
quando faço poesia
de seu sorriso
corro o risco
de violar as leis
do simplesmente
(poeta tem prepotência
de falar coisas
que moram no silêncio)
Ana tem algo doce
 entre seus dentes
e estrelas no céu
de sua boca
Ana diz (dois pontos)
gosto de observar as formigas
(não fere as leis do simplesmente).
Eu tenho calos
 na garganta
e não digo das flores
a menos que seja
pelas janelas
sei da potência das nuvens
em assumir
 formas-tartarugas
mas não digo
 que Deus é um sonho
que não mora na noite.
Maria toma sol
acalenta calos
(se é que os tem)
descreve flores
acredita em Deus
diz (dois pontos)
o sorriso de ana
(não fere as leis do simplesmente)
Eu me escondo
 em buracos
não sou Maria
não sou Ana
tenho medo
tenho calos
e ademais
a prepotência dos poetas
e ademais
a prepotência dos poetas

                - felizmente